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segunda-feira, 9/novembro, 2009

Ministra condena medida e diz que expulsão de aluna da Uniban é intolerância

A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, afirmou neste domingo que vai cobrar da Uniban explicações sobre a decisão de expulsar a aluna Geisy Arruda, que usou um microvestido e foi hostilizada no dia 22 de outubro.

Nilcéa condenou a decisão e disse que a atitude demonstra “absoluta intolerância e discriminação”. “Isso é um absurdo. A estudante passou de vítima a ré. Se a universidade acha que deve estabelecer padrões de vestimenta adequados, deve avisar a seus alunos claramente quais são esses padrões.”

Segundo a ministra, a ouvidoria da secretaria já havia solicitado à Uniban explicações sobre o caso, inclusive perguntando quais medidas teriam sido tomadas contra os estudantes que hostilizaram a moça. Nesta segunda-feira (9), ela deve publicar nota condenando a expulsão e provocando outros órgãos de governo, como o Ministério Público Federal e o Ministério da Educação, a se posicionarem.

Seminário

As cerca de 300 participantes do seminário “A mulher e a mídia”, do qual Nilcéa participou, decidiram divulgar moção de repúdio à universidade pela expulsão.

A decisão da Uniban também foi reprovada pela deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), uma das participantes do seminário. Segundo a deputada, a expulsão de Geisy não se justifica e parte de um “moralismo idiota”. “Mesmo que ela fosse uma prostituta, qual seria o problema da roupa? Temos que ter tolerância com a decisão e postura de cada um”, afirmou Erundina.

A socióloga e diretora do Instituto Patrícia Galvão, Fátima Pacheco, questionou o argumento da universidade de que a aluna “teria tido uma postura incompatível com o ambiente acadêmico”, conforme diz a nota da Uniban. “Ela não infringiu nada. Ela estava vestida do jeito que gosta, da maneira que acha adequado para seu o corpo e a interpretação do abuso, da falta de etiqueta, é uma interpretação que não tem sentido”, disse Fátima.

“É uma reação à mulher e à autonomia sobre o seu corpo. Não se faz isso com rapazes sem camisa, com cueca para fora ou calças rasgadas”, completou a socióloga.

Para a psicóloga Rachel Moreno, do Observatório da Mulher, a reação dos estudantes e da universidade refletem posições contraditórias e “hipócritas” da sociedade em relação à mulher. “Por um lado, a nossa cultura diz que a mulher tem que valorizar o corpo, afinal de contas, tem que ser bonita, gostosa, e tem que se mostrar. Por outro lado, a mulher é punida quando assume tudo isso com tranquilidade.”

O Movimento Feminista de São Paulo prepara manifestação para esta segunda (9), às 18h, em frente à Uniban. Na convocação, o movimento pede que as manifestantes compareçam usando minissaias ou vestidos curtos.

Via Folha

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