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segunda-feira, 13/julho, 2009

PUC-RJ adota nova medida para combater drogas

Após anunciar que irá fotografar quem for pego fumando maconha dentro da PUC-Rio, o vice-reitor comunitário da universidade, Augusto Sampaio, disse ontem que, se os usuários não forem alunos, terão a entrada proibida no campus e poderão ser denunciados à polícia. A medida é mais um passo da nova política de combate ao uso de drogas na universidade, revelada pela revista Megazine, do GLOBO, na última terça-feira.

Sampaio se inspirou no exemplo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, que há três meses tem adotado estratégias polêmicas, como a criação de uma lista de usuários contumazes, para reprimir a maconha em seus campi. O vice-reitor comunitário da PUC-Rio disse querer evitar que pessoas estranhas usem o campus, na Gávea, para fumar maconha. Segundo ele, os alunos apanhados receberão orientação e, em caso de reincidência, sofrerão punições. Eles também serão fotografados .

- As fotografias das pessoas desconhecidas, que usam o campus para fumar, serão distribuídas entre os seguranças e coladas no portão principal. Caso sejam apanhados novamente, o caso será entregue à 15 DP. Quanto aos alunos, faremos um levantamento interno – explicou Sampaio.

Medidas entrarão em vigor depois das férias

Ele acrescentou que a medida tem como objetivo identificar quem tenta driblar a fiscalização atual. Sampaio contou que as pessoas apanhadas fornecem o número de matrícula falso quando são surpreendidas:

- A universidade tem um campus aberto, entra muita gente por dia. São cerca de 20 mil pessoas. O controle é difícil, os portões ficam abertos das 6h30m às 23h. Alguns alunos flagrados com maconha dizem não estudar na PUC. Vamos fotografar e ver se são ou não alunos.

As medidas entrarão em vigor quando os universitários voltarem de férias, em agosto. Atualmente, os alunos flagrados fumando maconha no campus têm nome e matrícula anotados pelos seguranças, que encaminham uma ata à direção. Os usuários são convidados formalmente a “depor” numa comissão de inquérito formada por dois professores de Direito. A punição varia de acordo com a gravidade: vai da advertência verbal, em caso de o “réu” ser primário, à suspensão gradativa em caso de reincidência.

Jorge Jaber, diretor da Associação Psiquiátrica do Rio de Janeiro e especialista no tratamento com dependentes químicos, discorda das medidas repressivas da universidade. Segundo ele, a política nacional antidrogas prevê que a repressão cabe à polícia, enquanto as instituições educacionais devem propor alternativas preventivas:

- Não considero essa repressão eficaz na diminuição da demanda da droga. Instituições de ensino, principalmente uma universidade em que há contato íntimo com trabalhos científicos, devem orientar os alunos, tendo um programa de conscientização sobre os malefícios do uso de substâncias químicas.

Apesar de considerar que a legalização da maconha seria prejudicial para a saúde pública, o psiquiatra destaca a importância de se debater o assunto:

- A legalização da droga aumentaria o número de doenças psiquiátricas, não temos recursos para dar atenção a esses novos casos no Brasil. No entanto, é importante que haja uma ampla discussão sobre a legalização, com profissionais de diversas áreas e com esses jovens que estão sendo reprimidos.

Via O Globo

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